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Passeio de bicicleta na Milão moderna


O perfil urbano de Milão está de cara nova, superou a dimensão horizontal, típica das cidades italianas, e cresceu em altura com a revitalização arrojada e inovadora de bairros como Porta Nuova e Garibaldi.

Milão fica no meio de uma grande planície, é uma cidade plana, com pouco desenvolvimento vertical se comparada a outras metrópoles.

Durante séculos, o ponto mais alto da cidade foi a estátua de Nossa Senhora, “La Madonnina“, colocada a 108,50 m de altura em uma das torres da Catedral (o Duomo).

Nos últimos anos Milão revolucionou esta antiga tradição e deu à cidade uma prospectiva contemporânea, única na Itália, sem perder a identidade histórica.

Os tradicionalistas não apreciaram as mudanças, reclamando do aspecto “espelhado” dos novos bairros, em contraste com a arquitetura típica da cidade. Este tipo de controvérsia, relacionada ao impacto dos arranha-céus em áreas urbanas, existe há anos e divide o urbanismo em diferentes correntes de pensamento.

No caso específico, acho que seja uma polêmica sem razão. Eram áreas abandonadas há 50 anos, sem nenhuma função específica, colocadas entre estações de trem, antigos bairros operários, longe dos monumentos históricos, parques ou áreas naturais.

Além disso, Milão nunca teve o aspecto pomposo e imponente de Roma. Aqui prevalece um modelo de arquitetura burguesa, mais simples e funcional.

Certamente, é inegável, foi uma importante operação de especulação imobiliária. Mas aí são outros quinhentos (aliás milhares…de euros, porque os preços dos apartamentos e dos escritórios são astronômicos).

Pedalar nestes novos bairros é uma ocasião interessante – não somente para quem curte arquitetura moderna – para apreciar a nova face da cidade, e em geral, da Itália que se transforma de forma inesperada. Uma chave para entender como seja possível conjugar passado e futuro, sem renunciar as próprias raízes, como infelizmente aconteceu nos centros históricos de muitas cidades brasileiras.

Visitando a Milão moderna cheguei a conclusão que sem raízes fortes não existe desenvolvimento sustentável.

Localização

O roteiro das ciclovias fica nos bairros Porta Nuova e Garibaldi em uma zona semi-central, próxima à estação de metrô Garibaldi (M2).

Como visitar

O meu conselho – é claro – é alugar uma bicicleta usando o sistema de aluguel da Prefeitura. Leia aqui no blog como alugar bicicletas em Milão.

A área é tranquila, tem uma boa rede de ciclovias e várias estações de aluguel. Quem não gosta da magrela pode seguir o roteiro a , sem usar metrô.

Quando visitar

O passeio pode ser feito de dia ou à noite quando os edifícios estão iluminados. A área não é deserta, aliás é uma importante área gastronômica e de agito by night. Não é afastada da cidade como a Défence em Paris, mas fica próxima ao centro.

No verão ou na primavera, o roteiro pode ser encaixado depois do tour tradicional no centro histórico, para jantar ou uma cervejinha nas praças ou nos calçadões. Aqui você vai encontrar alguns dos bistrôs e restaurantes mais cools e badalados da cidade.

O que levar

Mapa offline de Trip Advisor para smarphones, por exemplo, ou mapa das estações de aluguel próximas ao roteiro.

Leia mais sobre aplicativos grátis e offline aqui no blog.

Duração e dificuldade

Pedalando sem pressa, com paradas para fotografias e lanches rápidos, o roteiro leva mais ou menos duas horas.

Total: 5 km, principalmente em ciclovias.

Dificuldade: Baixa

Onde começar

O ponto de partida do roteiro “Milão moderna” é a Estação Central (Stazione Centrale), parada das linhas de metrô M2 (verde) e M3 (amarela).

Do lado de fora da estação, no lado direito da praça, você vai encontrar um ponto de aluguel de bicicletas.

Não deixe de notar a beleza da Estação, exemplo de arquitetura fascista, e a sua colocação na prospectiva da praça.

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Estação Central em Milão

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Consulte o primeiro trecho do roteiro na figura abaixo. Para consultar on line o mapa das ciclovias clique aqui.

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  • Edifício Pirelli: o primeiro marco do roteiro é o edifício “Pirelli” com 127 m, do lado esquerdo da praça, construído nos anos 50 e projetado por vários arquitetos italianos, entre eles Giò Ponti. Inicialmente foi sede da Pirelli e hoje é Sede da Assembléia do Governo Regional. Por superar a altura da estátua da Nossa Senhora no Duomo, foi colocada uma pequena réplica da estátua no topo do edifício, em sinal de respeito.
    É um dos principais exemplos da arquitetura racionalista italiana.
  • Via Vittor Pisani: deixando a praça e o edifício Pirelli, entre na Via Vittor Pisani, avenida ampla e bem urbanizada, com ciclovia lateral. Ao longo da avenida, você vai notar vários exemplos de arquitetura fascista.

 

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Via Vittor Pisani


  • Piazza della Repubblica: vire a direita na ciclovia do Viale Ferdinando di Savoia e em seguida do Viale della Liberazione. No final da rua estão localizados os primeiros edifícios do bairro Porta Nuova.

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  • Torre Diamante: 30 andares, projetada por arquiteto ítalo-americano Lee Polisano do escritório Kohn Pedersen & Fox, chamada “Diamantone” (grande diamante) pela sua forma multifacetada e geometria irregular. E‘ o edifício em aço mais alto da Itália.
  • Torre Solaria: 37 andares, projetada pelo escritório Arquitectonica de Miami, entre outros. E‘ o edifício residencial mais alto da Itália, com 143 metros, e 102 apartamentos, muitos dúplex e triplex, ambiente exclusivo.
  • Samsung District: 12.500 metros quadrados para a sede milanese da companhia. No térreo os tech-addicted podem visitar o Show Room com a melhor tecnologia Samsung.
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As novas Torres de Milão Porta Nuova, com a Torre Solaria ao centro

 

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Torre Solaria – bairro Porta Nuova

 

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Sede da Samsung em Milão Porta Nuova


Perto da Torre Solaria, pegue o elevador com bicicleta e tudo e desça diretamente na área de lazer dos edifícios. Percorra a passarela suspensa até a Piazza Gae Aulenti.

Veja na figura abaixo o segundo trecho do roteiro.

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  • Piazza Gae Aulenti: praça suspensa, a 6m do nível da rua. O complexo dos edifícios foi projetado pelo arquiteto argentino César Pelli, realizador das Petronas Towers a Kuala Lumpur. Interessante a fonte d’agua e os meandros aquáticos que contornam a praça.

O lugar pede uma paradinha para fotos, sorvetes, compras, etc. A praça está emoldurada por vários edifícios.

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Piazza Gae Aulenti em Milão Porta Nuova


 

  • Torre Unicredit: é sede do banco Unicredit, com 32 andares, e uma torre de forma espiral com 85 m, em aço perfurado, completamente iluminada por led multicolor.
  • Torre B com 22 andares e Torre C com 12 andares.
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Torre do Banco Unicredit em Milão Porta Nuova


Na frente da Torre Unicredit encontra-se uma passarela para ciclovia e pedestres que leva até o segundo trecho do roteiro. Aqui você vai encontrar um modelo pioneiro de arquitetura sustentável.

  • Bosco Verticale (Bosque Vertical ou Suspenso):  São dois blocos de apartamentos respectivamente com 23 e 16 andares. Construídos pelo escritório italiano Boeri Studio tem como característica marcante a presença de 900 árvores de médio porte que podem chegar até 8 m de altura, 5000 arbustos e 11000 exemplares de forração….. As plantas têm a função de filtro contra a poluição atmosférica. Os edifícios ganharam em 2014 o prêmio International Highrise Award, o nobel dos arranha-céus, concedido pelo Museu de Arquitetura de Frankfurt chegando na frente de mais de 800 concorrentes.
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Condomínio Bosco Verticale (Bosque Vertical) em Milão


Na frente dos edifícios vire a direita na Via Gaetano de Castillia. Prossiga em frente até o girador e entre na Via Restelli, a esquerda.

  • Palazzo Lombardia: sede do governo regional. São quatro edifícios modernos de aço e vidro, com forma sinuosa e uma torre de 39 andares. Ganhou o prêmio de sustentabilidade e inovação do Council of Tall Buildings and Urban Habitat de Chicago como melhor edifício europeu em 2012. No domingo fica aberto para visita o “elevador supersônico” que chega ao 39° andar (grátis). A vista panorâmica da cidade e dos alpes é simplesmente MARAVILHOSA.
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Sede do Governo Regional – Palazzo Lombardia


Volte para a Piazza Gae Aulenti usando uma das ciclovias que passam pelos jardins.

Veja abaixo o último trecho do roteiro.

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Descendo a rampa que fica do lado contrário à Torre Unicredit, em direção ao Corso Como, encontra-se um pequeno burgo moderno projetado pelo escritório Studio Muñoz & Albin de Houston, com lojas, edifícios residenciais e jardins suspensos.

  • Corso Como: uma das ruas mais badaladas da cidade, zona pedestre, repleta de restaurantes e bares transados. À noite tem muito movimento. Quem gosta de estar na vanguarda da moda, tem que parar no Corso Como 10, um store polifuncional, com restaurante, bar, livraria, boutique, hotel, etc.
  • Porta Garibaldi: localizada no final do Corso Como, na Piazza 25 Aprile, uma das seis portas da cidade, que marca a transição entre “passado e futuro”.
  • Piazza 25 aprile: praça em zona pedestre. Ao lado direito fica Eataly Milano, o templo dos adeptos da gastronomia italiana super selecionada e sustentável.

Atravesse a praça e entre no Corso Garibaldi, outra rua icônica para noitadas, gastronomia étnica e shopping alternativo. Aqui encontram-se algus pontos turísticos interessantes, como a Igreja Santa Maria Incoronata de 1451 e a Basílica de San Simpliciano de 374 (isso mesmo!).

O roteiro acaba no cruzamento entre Via Garibaldi e ….onde você pode deixar a bicicleta no ponto de aluguel próximo à parada Moscova do metro M2 (parada Moscova).

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Corso Como em Milão

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Passado e futuro – Skyline de Porta Nuova através da Porta Garibaldi


 

Fotos de Adelaide Pereira – Reprodução proibida

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