Toscana de carro: roteiros e sabores


Se você sobreviveu à maratona romana e fez 50 km a pé em dois dias, nada melhor do que uma pausa, sombra e água fresca. Alugue um carro e faça uma viagem inesquecível, atravessando uma das regiões mais bonitas do mundo, fora do eixo do turismo de massa. Imperdível.

Deixo com você a tarefa de procurar um aluguel de carro bom e barato. Internet disponibiliza ofertas e preços para todos os bolsos.


O trajeto Roma-Florença oferece opções infinitas (ou quase…), saindo de Roma e atravessando uma parte da Região Umbria e a Região Toscana. Tudo vai depender do número de dias disponíveis.

O roteiro completo atravessa os vales “Valdichiana” e “Val d’Orcia” e o “Chianti“, terra de vinhos, e dura dois dias, mas pode ser adaptado para ser feito em um dia, renunciando ao trecho final.

Onde ir

Área rural entre as Regiões Lazio, Umbria e Toscana. Aqui encontram-se:

  • importantes cidades históricas como Siena e Orvieto;
  • a sub-região do Chianti, famosa pela produção de vinhos. Chianti è uma cadeia de colinas cuja demarcação é muito discutida (o bairrismo toscano é sem igual!). Mais ou menos poderíamos dizer que fica entre as províncias de Siena, Florença e Arezzo;
  • o vale “Valdichiana“: entre as províncias de Siena e Arezzo, rota panorâmica e eno-gastronômica;
  • o vale “Val d’Orcia“: patrimônio Unesco pela conservação da paisagem. Precisa dizer mais alguma coisa? E’ uma constelação de cidades históricas e panorama sem igual.
  • antigos povoados rurais, alguns de origem etrusca. Conhecidos no mundo inteiro pela produção vinícola, pelas características arquitetônicas e tesouros artísticos (entre eles, Montepulciano, San Gimignano, Pienza).

Porque ir

Trajeto panorâmico, cultural e eno-gastronômico.

Paisagem rural, repleta de vinhedos, ciprestes e campos de oliveiras, além das antigas cidades muradas no topo das colinas. Aqui você pode passear sem empurra-empurra, sem pressa, sem fila.

Tudo regado por vinhos famosos pra acompanhar um “cardápio” de fazer inveja: salames, linguiças, cogumelos, trufas, queijos de ovelha, pães e carnes de boi (da famosa raça Chianina) e de javali (especialidade toscana).

Como ir

De carro ou moto. Com GPS ou mapinha tradicional atualizado. A viagem de trem ou ônibus fica mais complicada, principalmente para quem tem somente um dia ou dois. As estradas são bem sinalizadas e de boa qualidade.

Quando visitar

Primavera, verão e outono. A primavera e o outono oferecem cores extraordinárias principalmente para “metropolitanos” poucos acostumados com campos floridos ou com os tons ocre e laranja do outono. Inesquecível o panorama das colinas cobertas por plantações de girassóis e açafrão.

Durante o inverno, a paisagem é árida e perde a sua exuberância característica, além do risco neve.

No verão faz calor, é claro, mas nada que assuste um brasileiro bem treinado. Evitar a primeira semana de agosto, principalmente em San Gimignano, porque é altissíma temporada.

panorama toscana


Onde dormir

Na interior da Toscana, as melhores opções são Agriturismo (pequenas granjas para turismo rural), Relais de Charme (alguns luxuosos sediados em antigos palacetes ou residências nobres) e bed & breakfast. Aviso aos navegantes: as piscinas ao ar livre ficam fechadas entre setembro e maio; alguns hotéis fecham no inverno.

Agriturismo - Toscana

Agriturismo – Toscana


Onde comer

Aqui não falta escolha. E’ uma das regiões italianas mais ricas de vinhos e opções culinárias. Proibido comer em restaurantes “turísticos”. Procure uma trattoria ou osteria nas ruas secundárias, poucas mesas, com cardápio somente em italiano. Nas áreas rurais, uma boa opção é sempre o “agriturismo”, geralmente com criação de animais e fabricação própria de queijos e frios. Ambientes rústicos e acolhedores, às vezes muito antigos, de época medieval. Ficam abertos para refeições principalmente entre maio e setembro. Aqui você vai curtir a atmosfera degustando vinhos de excelente qualidade.

icona roteiro
Roma-Orvieto: 120 km

Orvieto

Cidade da Região Umbria, de origem etrusca, do século IX a.C. Repassando a historia: a Etrúria foi uma importante civilização presente na Itália Central, antes da dominação romana.

O que ver

  • Duomo di Orvieto: catedral suntuosa, erguida em 1290, sem dúvida uma das mais bonitas da Itália; obra-prima de estilo românico-gótico, rica de afrescos e mosaicos.
  • Cidade Subterrânea (Orvieto Undergroud): um labirinto de galerias, grutas e poços construidos ao longo de 2500 anos. E’ uma viagem no tempo.
  • Poço de São Patrício: obra de engenharia extraordinária construída no século XVI por ordem do papa Clemente VII. O poço servia como esconderijo e proteção contra calamidades naturais. Para visitá-lo precisa descer os 248 degraus em espiral.

Orvieto-Montepulciano: 70 km

Montepulciano

Cidade antiga, fundada pelos etruscos no século IV a.C., localizada no centro do Valdichiana. Alcançou grande desenvolvimento na Idade Média. Chegando em Montepulciano, você vai notar a característica cromática típica da Toscana. Um marron-claro, cor de areia molhada, único.

Montepulciano vivenciou grande autonomia no passado, muitas vezes em contraste com as potentes Siena e Florença, às quais teve que se submeter com o passar dos séculos.

Sede de produção do “Vino Nobile di Montepulciano” (vinho D.O.C.G. denominação de origem controlada e garantida), top de gama para apreciadores ou não.

muralhas-toscana

O que ver

  • Centro da cidade: passeando a pé você vai encontrar a maior parte dos monumentos importantes. Entre eles a Piazza Grande, a Catedral, o Palazzo Comunale, o Palazzo Tarugi e o Palazzo Contucci, onde podem ser feitas degustações de vinho.
  • Palazzo Comunale: vista panorâmica na torre.
  • Igreja de San Biagio: exemplo suntuoso de arte renascentista, a 10 min a pé do centro.

Degustação

No centro e nos arredores você vai encontrar muitas opções de degustação de vinhos e frios. Algumas adegas são antigas, localizadas em palacetes, e mesmo para quem não bebe vale somente a visita. Os preços são abordáveis, principalmente se comparados com os preços aplicados no Brasil para o mesmo tipo de vinho.

Aqui com 5 euros (preço médio) você pode degustar dois ou três tipos de um bom vinho com um pratinho de torradinhas toscanas “bruschetta” ou de frios.

Algumas adegas servem refeições. Uma alternativa para os apressados são os wine bar que servem em terraços panorâmicos com vista para a colina toscana.

Para os amantes do vinho, aconselho um tour guiado pelas adegas dos arredores.

Para quem tem somente um dia livre, o roteiro acaba aqui. Prossiga para Florença. E’ possível ir à Florença sem utilizar a Rodovia A1, mas passando por Sinalunga, Siena, Poggibonsi e San Casciano, atraversando o Valdichiana e o Chianti. Fica um pouco mais longe mas vale a pena apreciar o panorama.

Para quem continua com pernoite, o roteiro inclui Siena, Pienza e San Gimignano.

Montepulciano-Siena: 67 km

Bom, aqui a coisa fica séria. Estamos no planeta do slow travel. A estrada panorâmica que sai de Montepulciano e entra no Val d’Orcia passa por Pienza, San Quirico d’Orcia e Buonconvento… Não foi a toa que a Unesco escolheu este vale. Emoção pura principalmente se as plantações estiverem no auge. E’ a Toscana dos cartões postais e dos cenários dos filmes. Excluí Montalcino, capital do vinho Brunello di Montalcino, por ficar um pouco mais longe, mas valeria a pena dar uma paradinha, mesmo rápida.

Pienza

Adoro este nome eheheh…um dos queijos de ovelha (pecorino) mais gostosos que comi é o pecorino di Pienza. Um sanduíche com este queijo, presunto local e um cálice de vinho, olhando o panorama…sem comentários. Voltando ao assunto, Pienza é conhecida também por ter sido completamente reformada pelo Papa II, em meados de 1400, seguindo o modelo de uma cidade renascentista ideal. Quando eu digo que não precisa comentar, acreditem…E’ linda.

Siena

Deixando pra trás o Val d’Orcia, o itinerário entra no Val d’Arbia até chegar em Siena. Nos arredores, a paisagem é dominada pela formação geológica chamada “Creta Senese”, argila de cor cinza-azul, com aspecto “lunar”. Aqui crescem famosas trufas brancas. A cidade não precisa de grandes apresentações…O centro, apesar de pequeno, requer uma visita planejada para dar tempo de ver os pontos turísticos mais importantes.

Siena

Siena

Piazza del Campo

Piazza del Campo


 

O que ver

  • Piazza del Campo: uma das mais famosas da Itália. A forma de leque, estranha para uma praça, é a sua marca registrada. Nos arredores e nas ruelas laterais, encontram-se os pontos mais interessantes;
  • Catedral (Duomo di Siena): Um dos poucos exemplos de gótico puro, ao sul dos Alpes, construída entre 1100 e 1300. Depois que você ver a fachada vai decidir de entrar, tenho certeza. Até o piso é maravilhoso.
  • Palazzo Pubblico: construído entre 1200 e 1300, hoje é sede do Município. As salas medievais são abertas ao público;
  • Palazzo Piccolomini: o mais importante palacete particular de Siena, construído em 1460.
  • ruas Via Bianchi di Sotto, Bianchi di Sopra, Via di Città, Via di Fontebranda.

icona dicasSe você visitar a região entre julho e agosto, planeje uma visita durante a festa do Palio di Siena. É a mais famosa da Toscana e talvez do Itália. Corrida de cavalos de origem medieval com trajes típicos na Piazza del Campo. 10 entre os 17 bairros  da cidade disputam o palio (estandarte). Eu estive lá! Espetáculo incrível de cores e tradições.

 

Siena-San Gimignano-Florença: 93 km

A rota atravessa o Val d’Elsa e o Chianti, entre campos de açafrão e vinhedos (o famoso Vernaccia di San Gimignano DOCG).

san-gimignano

San Gimignano

Outro Patrimônio da Humanidade, merecidamente. Cidadezinha pequena, mas de longe já esbanja as suas famosas torres, simbolo de poder na Idade Média. Dizem que em meados de 1300, no auge do seu desenvolvimento, eram 72, uma para cada família importante.

Único problema: no verão e nos feriados, a cidade fica cheia. Evite as horas centrais do dia.

O que ver

Perambulando pela cidade, além das magníficas torres e os arcos (Porta), você vai encontrar a Piazza della Cisterna, a Catedral, o Palazzo Vecchio del Podestà e a Piazza Pecori.

piazza-cisterna


 

Depois de San Gimignano, a próxima parada é Florença. Durante a rota, encontram-se várias cidade que merecem uma visita. Tudo depende do tempo disponivel. Entre elas cito:

  • Monteriggioni: linda! Uma das minhas preferidas. De longe você vai ver as antigas muralhas.
  • Colle di Val d’Elsa.
  • San Casciano Val di Pesa.

Mas mesmo sem parar, a paisagem paga a viagem. Na Toscana não falta nada. Arte, cultura, panorama, hospitalidade, boa comida e bons vinhos. Aproveitem e compartilhem aqui as suas experiências.

6 respostas
  1. clivea
    clivea says:

    Oi Adelaide, adorei o roteiro, pretendo fazer a região da toscana em setembro esse ano, e pensei no seguuinte roteiro: Roma – 4 dias
    Montalcino – 2 dias
    Siena – 3 dias
    Florença – 2 dias
    Bolonha -1 dia
    Cinque Terre – 2 dias
    Milão – 3 dias
    Vc acha factivel? Da para aproveitar bem a viagem?
    Obrigada

    Responder
    • Adelaide
      Adelaide says:

      Olá,
      o roteiro está ótimo. Se o tempo estiver bom vai dar para curtir as praias das Cinque Terre com o pé na areia.
      Eu faria somente duas pequenas mudanças:
      – 5 dias em Roma, 1 dia em Montalcino.
      – 3 dias em Florença, 2 dias em Siena.
      A não ser que você prefira passar mais tempo nas cidades menores para relaxar e descansar.
      Nesse caso, faz sentido porque a Toscana pede relax.
      Não deixe de explorar o lado gastrônomico do passeio porque você vai visitar alguns dos melhores destinos gourmet da Itália.
      Aqui no blog tem algumas dicas sobre o assunto.
      Qualquer dúvida entre em contato.

      Responder
      • clivea
        clivea says:

        Muito Obrigada!! vou seguir sua sugestão sobre Florença e Siena, Roma eu já conheço por isso prefiro um dia mais em Montalcino para poder explorar bem os maravilhosos vinhos!!
        Novamente Obrigada!!

        Responder
        • Adelaide
          Adelaide says:

          Olá,
          se já conhece Roma, realmente é melhor curtir Montalcino e redondezas. Se tiver tempo, não perca Montepulciano (vinho maravilhoso) passando por Pienza, local de produção de um dos melhores queijos de ovelha italianos (o famoso Pecorino di Pienza).
          Boa viagem!

          Responder

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