Vinhos italianos: Região Lombardia


Os vinhos italianos

A variedade de vinhos italianos é impressionante, do norte ao sul, da cordilheira dos Apeninos aos Alpes. A mesma uva produz vinhos com sabores, cores e aromas diferentes dependendo do tipo de cultivo, do terreno, da exposição ao sol, até mesmo dentro de cada região geo-climática.

Aqui no blog já publiquei um post sobre a classificação dos vinhos italianos para explicar o sistema de denominação de origem. O sistema é um bom guia para ajudar na escolha dos melhores vinhos.

As regiões italianas apresentam vinhos com características peculiares, mais ou menos homogêneas. No post anterior falei sobre os vinhos do Piemonte, região do norte e terra de vinhos intensos que acompanham muito bem as especialidades locais como massas recheadas, queijos, risotto, carnes e trufas.

Neste post escolhi a Região Lombardia porque, apesar da boa qualidade dos vinhos, ainda é um território “eno-gastronomicamente” pouco explorado no Brasil. 

A Região Lombardia

A Lombardia fica na noroeste da Itália, ao sul da Suiça, entre os Alpes e o rio Pó. É uma das regiões mais importantes da Itália. A capital, Milão, é com certeza o centro italiano dos negócios, da moda e do design.

A região é rica de montanhas, lagos e rios, alimentados pelas geleiras alpinas. Oferece uma boa variedade de vinhos, apesar de menos famosos em relação a outros vinhos italianos como os piemonteses e toscanos, e boas opções gastronômicas.

Os primeiros vestígios da presença de uvas na Lombardia são da Idade de Bronze. Foram os etruscos, a partir do século VII-V a.C., que ensinaram à população local a cultivar videiras e produzir vinho.

Os vinhedos da Lombardia ficam principalmente nas encostas ensolaradas das montanhas e das colinas. As principais variedades são Nebbiolo, Barbera, Croatina, Groppello, Marzemino, Riesling, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Pinot Nero e Bianco.

A região produz 5 vinhos com denominação de origem controlada e garantida (D.O.C.G.):  Franciacorta, Oltrepò Pavese Método Clássico, Moscato de Scanzo, Sforzato (ou Sfursat) di Valtellina e Valtellina Superiore.

lago de como

Uma das principais atrações da Lombardia: o Lago de Como


Principais zonas vinícolas da Lombardia

Valtellina: zona montanhosa próxima ao Lago de Como, ao sul dos Alpes Suiços. Os vinhedos crescem nas encostas das montanhas até 800 m acima do nivel do mar. Famosa pelos vinhos tintos intensos. Produz dois vinhos entre os cinco D.O.C.G. da Lombardia, o Sforzato e o Valtellina Superiore. A principal variedade é o Nebbiolo (conhecida na região como Chiavenasca).

Na Valtellina existem vários roteiros para explorar as vinícolas e degustar os vinhos locais. Consulte o site oficial (infelizmente somente em italiano) para escolher entre as opções disponíveis “la strada del vino”  que mais gostar. São passeios muitos agradáveis, principalmente no outono,  para curtir um friozinho gostoso, mas aceitável.

Outra opção é agendar visitas para degustação.  Visite o site oficial do Consórcio dos Vinhos da Valtellina para escolher os melhores produtores.

Franciacorta: uma das zonas vinícolas mais famosas da Itália, localizada entre a cidade de Brescia e o Lago de Iseo. É o centro de produção do espumante com método clássico. Os principais tipos de uva são Pinot Bianco, Pinot Nero e Chardonnay. O Franciacorta é o único vinho D.O.C.G. da região.

A Franciacorta oferece várias opções de passeios, entre eles a famosa “Strada del Franciacorta“, além visitas e degustação. Visite o site oficial em inglês para consultar a lista das vinícolas.

Oltrepò Pavese: zona localizada entre as províncias de Alessandria (Piemonte) e Pavia, próxima ao Rio Pó. Terra de vinhos tintos, principalmente Barbera, Croatina e Bonarda. A região produz uma variedade D.O.C.G. (Oltrepò Pavese Método Clássico) e mais de 30 variedades D.O.C.

Lago de Garda: zona ao noroeste da cidade de Verona. Conhecida pelos vinhos Groppello, Barbera, Marzemino e Sangiovese. Existem várias opções de passeios na área de produção, passando por castelos, villas e vinícolas. Os arredores do Lago de Garda são muito bonitos. Vale a visita mesmo nos meses mais frios. Os roteiros – com possibilidade de degustação – podem ser feitos de carro ou de bicicleta. Visite o site oficial (em italiano).

Colinas de Mântua: zona no extremo leste da Lombardia, próxima ao Rio Pó e ao Lago de Garda.  Produz principalmente vinhos brancos, com exceção do Lambrusco Mantovano. Visite o site oficial em inglês para explorar as vinícolas. É uma ocasião para conhecer Mântua, uma cidade rica de história e com uma das melhores culinárias do norte da Itália.

Produção vinícola nas encostas das montanhas na Lombardia

Produção vinícola nas encostas das montanhas na Lombardia


icona sabores

Vinhos tintos da Lombardia

Sforzato di Valtellina (ou “Sfursat” no dialeto local)

Tipo: vinho tinto DOCG; produzido com um minimo de 90% de uvas Nebbiolo, primeiramente “passificadas” durante o longo inverno da Valtellina (mesma técnica de passificação do Amarone) e depois vinificadas. Envelhecimento durante 20 meses, incluindo 12 meses em barris de madeira. Teor alcoólico mínimo de 14%, sabor intenso, aromático, cor  vermelho-rubi.

Acompanhamento típico: o Sforzato não é um vinho qualquer, mas um dos melhores vinhos italianos. É um vinho importante, para ocasiões importantes e…principalmente…para pratos importantes.  Por exemplo, carnes vermelhas estufadas, carnes de caça, queijos curados produzidos nos alpes (entre eles o famoso Bitto da Valtellina).

Dica: deve ser servido em taças grandes. Na Itália, o “sfursat” é considerado uma experiência “sensorial” ou vinho para meditação, servido sem nenhum tipo de acompanhamento, entre amigos, no fim de um bom jantar. Evite o verão.

Valtellina Superiore

Tipo: vinho tinto DOCG da Valtellina; produzido com um minimo de 90% de uvas Nebbiolo. Existem cinco tipos: Grumello, Inferno, Sassella, Valgella e Maroggia. Envelhecimento por 24 meses, incluindo 12 meses em barris de madeira. Teor alcoólico mínimo de 12%, sabor intenso, com notas aromáticas, cor  vermelho-rubi.

Acompanhamento típico: vinho ideal para acompanhar pratos de clima frio, como polenta, carnes vermelhas estufadas ou assadas, carnes de caça, embutidos de qualidade (como a Bresaola da Valtellina), queijos curados produzidos nos alpes.

Dica: deve ser servido em taças grandes, tipo Grand Ballon. Evite o verão.

Bonarda Oltrepò Pavese

Tipo: vinho tinto DOC; produzido na província de Pavia, principalmente com uvas Croatina (mínimo 85%).  Teor alcoólico mínimo de 11%, sabor seco, ligeiramente frizzante, com notas aromáticas, cor  vermelho-rubi.

Acompanhamento típico: ideal com massas recheadas, molhos de carne, embutidos, carnes brancas assadas, queijos parcialmente curados.

Dica: vinho versátil e leve que pode ser usado durante toda a refeição. O salame di Varzi é o acompanhamento mais famoso. Deve ser consumido ainda jovem.

Lambrusco Mantovano

Tipo: vinho tinto DOC, produzido na província de Mântua, principalmente com uvas Lambrusco (mínimo 85%).  Teor alcoólico mínimo de 10,5%, sabor seco, ligeiramente frizzante, com aroma de frutas, cor  vermelho-rubi.

Acompanhamento típico: ideal com embutidos, queijos, cozido de carne, massas recheadas típicas da região, como por exemplo ravioli recheado com abóbora e amêndoas. Ótimo com churrasco.

Dica: vinho versátil, fresco e leve. Pode ser servido no verão, até mesmo como aperitivo. Deve ser consumido ainda jovem.

Vinho tinto da Valtellina - Inferno

Vinho tinto da Valtellina – Valtellina Superiore, variedade Inferno

Seleção de queijos típicos da Valtellina

Seleção de queijos alpinos típicos da Valtellina


Vinhos brancos da Lombardia

Franciacorta

Tipo: vinho branco espumante seco D.O.G.C.; produzido na província de Brescia, com Chardonnay e/ou Pinot Nero e/ou Pinot Bianco (dependendo da variedade).  Teor alcoólico de 12%, sabor seco, cor amarelo-palha. Existem cinco variedades: Franciacorta, Franciacorta Satèn, Franciacorta Rosé, Franciacorta Millesimato, Franciacorta Riserva (vendido depois de 67 meses da colheita).

Acompanhamento típico: depende da variedade.

  • Non dosato (sabor muito seco): pode ser servido como aperitivo ou para acompanhar pratos de peixe, carnes brancas, pouco temperadas.
  • Extra Brut: pode ser servido com peixe cru, sushi, sashimi ou ainda com mozzarella di bufala.
  • Brut: pode acompanhar toda a refeição se os pratos forem leves, como massas com molhos simples, pizza Margherita, peixe ao forno.
  • Dry: queijos moles, patê de fígado e também sobremesas com pouco açúcar.
  • Demi-sec: doces em geral, com cremes ou base de biscoitos.
  • Satèn: vinho muito fino e elegante. Pode acompanhar massas ao forno, risotto simples pouco temperado, verduras ao forno, peixe e presunto cru.
  • Rosé: pode acompanhar salames e linguiças,

Dica: é um dos vinhos italianos mais conhecidos no exterior. É um vinho elegante que pode acompanhar toda a refeição quando os sabores não são muito fortes ou picantes.

San Colombano

 Tipo: vinho DOC produzido nas colinas entre as províncias de Lodi e Milão; pode ser tinto com uvas Croatina, Barbera e Uva rara ou branco com uvas Chardonnay e Pinot Nero; é o único vinho produzido na província de Milão. Na realidade a área de produção fica fora e longe da província milanesa. Mas um dos municípios produtores foi anexado somente com o objetivo de dar à Milão o seu vinho. Província sem vinho é província sem honra! Incrível mas é verdade!  Sabor seco, com aroma de frutas. Existe a variedade frizzante. Teor alcoólico entre 11 e 12%.

Acompanhamento típico: o tinto é ideal com embutidos, massas com molhos de carne, omeletes, carne assada e gorgonzola. O branco pode acompanhar massas leves, peixe e outras carnes brancas. A variedade Riserva pede pratos mais importantes como cozido com polenta e queijos curados.

Dica: vinho versátil com variedades que podem ser servidas como aperitivo ou para acompanhar pratos mais estruturados.


Fotos: Adelaide Pereira

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