Como visitar Khiva: guia prático
Publicado em 31/10/2025
Confira como visitar Khiva, a cidade-museu da Rota da Seda, no Uzbequistão
Khiva, uma pequena cidade amuralhada, nem sempre entra nos roteiros no Uzbequistão porque fica longe de Tashkent, a capital, e de Bukhara e Samarcanda, as cidades mais famosas. Mas fui até lá e achei que valeu cada km percorrido. Foi amor à primeira vista.
Confira nesse artigo como visitar Khiva e montar um roteiro prático e sem complicações!
ÍNDICE DO ARTIGO
Sobre Khiva
Khiva é um antigo oásis da Rota da Seda, no deserto de Kyzylkum. Durante séculos, foi considerada estratégica porque possuía o maior mercado de escravos da Ásia Central e era última parada das caravanas antes da travessia do deserto em direção do mar Cáspio e da Pérsia.
A cidade foi capital do poderoso Canato de Khiva e país independente desde o início de 1500 até 1920, quando entrou na União Soviética.
Durante quase 300 anos a cidadela manteve-se praticamente inviolável, protegida por uma imensa muralha (que ainda existe).
Hoje Khiva faz parte República do Uzbequistão. É uma cidade tranquila, um verdadeiro museu ao ar livre que abriga 50 monumentos históricos e mais de 250 casas, construídas principalmente entre os séculos XVIII e XIX. O centro histórico fortificado, com suas mesquitas e minaretes em argila e mosaicos em tons de azul e verde, foi o primeiro monumento uzbeque a ser declarado Patrimônio UNESCO, em 1991.
Há uma certa polêmica sobre as obras de restauro arquitetônico dos monumentos de Khiva. Tem quem julgue excessivo, tem quem aprecie. Sinceramente, não achei nada destoante. Pelo contrário, gostei do conjunto, da iluminação …mas não sou especialista.
Enfim, é o dilema de sempre: deixar os monumentos como são, mesmo estragados, ou tentar mantê-los e revitaliza-los, pelo menos a nível de fachada.

Centro histórico de Khiva
Como chegar em Khiva
Você pode chegar em Khiva de avião, translado privativo ou trem. Mas vamos começar pelo começo.
Como quase todo mundo, entrei no Uzbequistão por Tashkent, a capital, onde desembarquei do meu voo vindo da Itália, com escala em Varsóvia. Há também voos que ligam algumas cidades europeias diretamente com Samarcanda, sem passar por Tashkent, mas com opções de horário mais limitadas.
Os roteiros tradicionais geralmente são de dois tipos: Tashkent-Samarcanda-Bukhara-Khiva com saída do país de avião para qualquer outro destino. Ou Tashkent-Khiva-Bukhara-Samarcanda-Tashkent. Escolhi a segunda opção porque tinha interesse em visitar Tashkent na volta (e porque o voo de volta para a Itália mais barato saindo de Tashkent).
Sendo assim, comecei a minha “Rota da Seda” por Khiva, a quase 1000 km de Tashkent, já perto na fronteira com o Turquemenistẫo.
Fui de avião com a companhia uzbeque Uzbekistan Airlines que, por sinal, atendeu muito bem as minhas expectativas. O aeroporto de chegada é Urgench, a aprox. 30 km de Khiva. Use táxi ou o aplicativo Yandex Go (prático como Uber) para ir até o centro de Khiva.
Como escrevi no início, há mais duas opções para chegar diretamente em Khiva saindo de Tashkent:
- trem
- translado privativo de carro.
Nos dois casos são viagens longas e cansativas. Descartei o translado privativo porque, além de tudo, achei tedioso ficar horas sentada num carro com uma pessoa que não conheço.
Com o trem noturno, a viagem entre Tashkent e Khiva, dura 13/14 horas e a única opção é dormir nos beliches de primeira ou de segunda classe. Na minha opinião, a viagem de trem até Khiva faz sentido só se você viajar por trechos, parando em Samarcanda e Bukhara, como eu fiz na volta para Tashkent.
Lembrando que o trecho Tashkent – Samarcanda – Bukhara é servido por trens modernos a alta velocidade (chamado Afrosiyob) mas o trecho final Bukhara-Khiva, na ida e na volta, é servido por trens locais, de fabricação soviética, meio obsoletos e menos confortáveis.
A viagem de trem entre Khiva e Bukhara dura aprox. 6 horas e atravessa o deserto de Kyzylkum
Resumindo o meu itinerário:
- na ida: Tashkent-Khiva de avião
- na volta:
- Khiva-Bukhara: trem
- Bukhara-Samarcanda: trem
- Samarcanda-Tashkent: trem.
O trecho Khiva-Bukhara com o trem soviético era um dos pontos-chaves da minha viagem no Uzbequistão, porque queria atravessar o deserto de Kyzylkum. Achei impressionante a travessia – que dura horas – entre dunas de terra avermelhada e paisagens surreais, no meio do nada, com exceção de algumas poucas cidadezinhas e bases provavelmente militares soviéticas, hoje abandonadas ou quase.
Não pude deixar de imaginar como deve ter sido desafiador para as antigas caravanas atravessarem o deserto a pé durante semanas, até chegar em Bukhara ou Samarcanda.
Leia mais sobre o Uzbequistão | Uzbequistão: roteiro de viagem e dicas práticas

Trem uzbeque no trecho Khiva-Bukhara

Corredor do trem uzbeque no trecho Khiva-Bukhara
Quanto tempo ficar em Khiva
Khiva é pequena mas rica de atrações. O centro histórico (lchon-Qala ou Itchan Kala), juntamente com as principais mesquitas, minaretes, mausoléus e madraças, são tombados como Patrimônio Unesco.
Teoricamente, se você começar seu roteiro de manhã bem cedo, daria para visitar a cidade em um dia. Corrido, mas daria. O ideal seria uma dia e meio, ou dois dias, para dar tempo de passear com mais calma e visitar por dentro os monumentos mais importantes.
Khiva é belíssima à noite, quando os monumentos ficam iluminados.
Como visitar Khiva
Os atrativos mais importantes de Khiva ficam dentro da cidadela fortificada, chamada Itchan Kala, com muralhas que chegam a 8-10 metros de altura e 5-6 metros de largura. Ainda hoje, aprox. 2.500 pessoas vivem dentro da cidadela.
A cidadela tem 4 portões de entrada e tem ticket de entrada a 200.000 SOM (15 euros) com validade de um dia (em agosto 2024) e dá direito a visitar vários monumentos, com exceção dos mais importantes:
- Minarete Islam Khodja (início de 1900)
- Fortalea Khuna Ark (século XII, é o monumento mais antigo de Khiva)
- Mausoléu Pahlavon Mahmud (meados de 1300).
Como a cidade é pequena, pode ser visitada a pé, sem grandes complicações. Táxi privativo ou carro pelo aplicativo Yandex Go são necessários somente para ir e voltar do aeroporto de Urgench ou da estação de trem.
Para economizar tempo, seria melhor escolher um hotel dentro da cidadela.
Importante | Khiva é uma cidade segura e limpíssima. Em nenhum momento tive receio de passear nas ruas, de dia e de noite.
Quando visitar Khiva
Khiva fica num oásis no meio do deserto. Ou seja, verões quentes e invernos frios. Estive lá em pleno verão (agosto) e confirmo que é muito quente durante o dia (as temperaturas podem chegar a 40 graus). No entanto é um calor seco e, à noite, as temperaturas ficam mais agradáveis. Sobrevivi.
Durante a minha estadia, o céu esteve sempre azul, uma cor intensa, sem nuvens. Sem medo de exagerar, o céu do Uzbequistão foi o mais lindo que vi até hoje!
O melhor período para visitar Khiva é Abril-Junho e Setembro-Outubro quando as temperaturas são mais amenas.

Centro histórico de Khiva
O que comer em Khiva
Em geral, o Uzbequistẫo não é um destino “gourmet”. A maior parte dos restaurantes nos centros históricos são “turísticos”, com cardápios padronizados. Mas foi em Khiva onde comi melhor.
A culinária local incluí:
- plov: o famoso arroz temperado com carne, verduras, passas
- non: pão uzbeque
- shivit-oshi: talharim verde com molho de verdura
- manty: ravioli com recheio de abóbora ou carne, servido com molho de creme de leite ácido
- somsa: parece uma empanada com várias tipos de recheio
- chá.
Meu restaurante preferido em Khiva foi o Terrassa Café, com pratos bem preparados, bom vinho local e uma vista matadora da cidade iluminada. Como o lugar é concorrido, aconselho reservar.

Prato típico da culinária do Uzbequistão

Adelaide Pereira
Adelaide Pereira
Adelaide Pereira
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