O que fazer no Marais, charme e boêmia em Paris


Quando visitei Paris pela primeira vez em 19… bom, muuuitas viagens atrás… 🙂 estive no bairro de Marais. Gostei mas não ficou na minha memória como Montmartre. Estive em Paris outras vezes mas só recentemente tive a oportunidade de rever com calma e vasculhar esse antigo bairro parisiense. E amei.

Apesar de ficar no centro da cidade, o Marais geralmente fica fora do roteirão da primeira visita. Fora do roteiro? Help! Chegam as dúvidas: então vale a pena se for a minha primeira visita? O que fazer em Marais? Aonde ir?

Vai tranquilo(a) porque Marais é repleto de atrações, com diferentes teores de fama. Desde os luxuosos Hôtels Particuliers até os cantinhos e ruas fora do radar, feitas exclusivamente para flanar, flanar, …. como fazem os parisienses.

Onde fica o bairro Marais

O Marais, em francês pântano, fica na margem direita do Sena, entre os 3° e 4° arrondissements e encaixado entre o Centre Pompidou, Place de la République e Place de la Bastille. Uma localização bem central.

Bairro muito antigo, aristocrático, abriga ainda hoje uma importante comunidade judaica além de ser um importante ponto de referência cultural parisiense. E mundialmente famoso também por ser um reduto gay-friendly.

Pelo Marais passaram também os Templários deixando como legado para o bairro a drenagem do antigo pântano e o nome de ruas importantes: Rue du Temple, Carreau du Temple e Square du Temple.

o que ver no Marais

As ruas fofas e charmosas do Marais


Por que visitar o Marais

Paris é a minha cidade preferida. Não por causa dos monumentos mas pelo mood incomparável. Até hoje não visitei nenhuma cidade que conseguisse derrotá-la. Continuo procurando. O mundo é tremendamente grande. Quem sabe?

Paris faz parte da categoria das “cidades infinitas”. Não enjoam, tem sempre o que mostrar, mudam sempre de roupa. Você pode voltar lá cem vezes porque tem sempre o que aprender e o que ver e sentir.

Mas, ao mesmo tempo, Paris é uma armadilha principalmente na primeira visita. O risco é concentrar todas as energias para bater ponto nos monumentos e perder de vista a essência da cidade. Aquela estória de “olhar sem ver”. Quero dizer: não ter nem 10 min para fechar o mapa e passear sem compromisso.

Marais pode ser o lugar certo para sair da trilha mas sem muito deslocamento. Reserve 2 ou 3 horas para curtir o clima das ruas tranquilas da Soho parisiense, dos bares e praças frequentados pelos moradores.  Se quiser entrar em museu ou visitar melhor o bairro, fique o dia inteiro.

Aviso aos navegantes: não quero dizer que o Marais não seja “turístico”. Em qualquer lugar de Paris você encontra turistas. Não tem nada demais nisso. Somos todos turistas.

Marais é somente mais tranquila, mais acolhedora. E principalmente lá você respira aqueles ares da antiga Paris medieval porque o bairro não foi atingido pelas reformas de Napoleão e do Barão Haussman.

O que fazer no Marais

Aristocrático, sim, mas principalmente é o epicentro da comunidade judaica desde a Idade Média.

O Pletzl, ou pracinha na língua yiddish, é a marca registrada do bairro, localizado mais ou menos entre Rue Ferdinand-Duval – antigamente Rue des Juifs – e Rue des Rosiers (uma das mais bonitas da zona na minha opinião).

A regra é flanar entre sinagogas, livrarias, restaurantes kosher, bistrôs, hôtels particuliers, lojinhas vintage e boutiques super charmosas e de tendência.

o que fazer no Marais

Rue des Rosiers, o coração do Pletzl no bairro judaico


Place des Vosges

Ótimo ponto para iniciar a visita do bairro. Fica perto da Bastilha e da Rue de Rivoli. Construída por Henrique IV no início de 1600 como a primeira place royale da cidade.

A praça é bem característica porque é rodeada por edifícios idênticos em tijolos aparentes avermelhados, molduras de pedra clara e tetos escuros em ardósia.

Um destaque especial vai para a Casa de Victor Hugo que fica localizada na elegante mansão Rohan-Guéménée (número 6) e a casa do Cardeal Richelieu (número 21).

Place des Vosges

Detalhe da fachada tricolor da Place des Vosges, uma das mais bonitas de Paris


Os Hôtels Particuliers

Apesar do nome não são hotéis mas antigos palacetes onde morava a aristocracia parisiense antes que o Rei Sol fosse embora para Versalhes levando malas, cuias e a corte real. Depois da Revolução Francesa, o Marais foi abandonado pela aristocracia e aos poucos virou o bairro da boêmia. Praticamente o processo contrário do que aconteceu em Soho em Nova York.

Hoje a maioria deles abriga museus e instituições públicas. Para quem tem tempo eu aconselharia no mínimo:

  • Hôtel Carnavalet (Rue de Sévigné, 23) | um maravilhoso palacete em estilo renascentista construído em meados de 1500. Hoje abriga o Museu da História de Paris. O museu encontra-se fechado para reformas até 2019.
  • Hôtel Salé (Rue de Thorigny, 5) | construído em meados de 1600 como residência de Fontanay, que ficou rico recolhendo a taxa do sal (olha o nome!) em nome do rei. Hoje é sede do Museu Picasso que abriga mais de 3.000 obras inclusive muitas do arquivo pessoal do artista espanhol.
  • Hôtel de Sully (Rue Saint-Antoine) | palacete barroco com jardim e orangerie construído em 1624 atrás da Place des Vosges. Hoje abriga o Centre des Monuments Nationaux.
Musée Carnavalet

Musée Carnavalet


As melhores ruas do Marais

Tem rua para todos os gostos. Saindo da Places de Vosges, o roteiro começa na Rue des Francs Bourgeois onde fica a famosa boutique Zadig & Voltaire. Passe pela rua das galerias de arte, a Rue de Turenne, para entrar nas vielas tipicamente judaicas como a já citada Rue des Rosiers ou a Rue Pavée (onde fica a sinagoga Art Nouveau projetada por Guimard, o mesmo que criou as charmosíssimas entradas de ferro do metrô de Paris) e Rue des Ecouffes.

Imperdível é o Jardin des Rosiers, um pátio-jardim escondido entre palacetes residenciais, localizado na Rue des Rosiers, entre o L’As du Falafel (paradinha para lanchar falafel) e Rue Pavée.

Vale lembrar que a Rue des Rosiers é uma das ruas gastronômicas mais legais de Paris.

Leia mais aqui no blog >> As melhores ruas gastronômicas de Paris

No fim da Rue des Rosiers, ficam mais duas ruas legais, a Rue Vieille du Temple e a Rue Sainte-Croix de la Bretonnerie, conhecida pela movida gay. Saindo do bairro, indo para Rue de Rivoli, passe pela Rue des Barres, mais uma fofura.

Jardin des Rosiers

O jardim escondido – Jardin des Rosiers


Principais museus no Marais

O Marais com suas galerias e museus é o paraíso para quem gosta de arte.

Um dos mais importantes museus da cidade, o Centre Pompidou, fica localizado entre Les Halles e Le Marais. O design arrojado projetado pelos arquitetos Richard Rogers e Renzo Piano pede uma visita, nem que seja por fora.

Outra parada interessante é no Musée des Arts et Métiers, instalado dentro da antiga Abadia de Saint Martin des Champs e fundado durante la Revolução Francesa.

Para quem gosta de fotografia contemporânea tem Maison européenne de la photographie no belíssimo Hôtel de Cantobre.

E como estamos no bairro judaico de Paris por que não conhecer o Musée d’art et d’histoire du Judaïsme instalado em um dos hôtels particuliers mais bonitos da cidade, o Hôtel de Saint-Aignan (Rue du Temple, 71)? O museu conta a evolução do judaísmo ha Europa e no norte da África, desde a Idade Média até o século XX, inclusive com obras de artistas importantes como Chagall e Modigliani.

Bom, é impossível citar tudo o que fazer no Marais. Tem mesmo que incluir o bairro no seu roteiro e conferir pessoalmente.

Guarde no Pinterest para ler depois. É super prático!


 

2 respostas
  1. Matilda Barroso
    Matilda Barroso says:

    Excelente sua descrição sobre Marais, enfoca diferentes ângulos de interesse variado.Parabéns! Da próxima vez que for a Paris e espero que seja logo, irei fazer este tour que recomenda

    Responder
    • Adelaide
      Adelaide says:

      Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado.
      Quando for a Paris não deixe de visitar Le Marais com calma, principalmente se já conhece as principais atrações da cidade.
      Vale a pena.
      Abs

      Responder

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