Olinda

Roteiro em Olinda: o que você não pode deixar de ver


Sempre que posso visito Olinda, aliás a Cidade Alta, o Patrimônio da UNESCO. Melhor ainda se não é época de Carnaval. Só assim posso atravessar com calma – e em silêncio – os (quase) 500 anos de história da antiga capital pernambucana e marco do Brasil Colônia.

É difícil montar um roteiro em Olinda porque, apesar de pequeno, o centro histórico é repleto de monumentos importantes. O ideal seria ficar o dia inteiro e esperar o anoitecer para não perder a vista de Recife iluminada. Mas Olinda geralmente fica espremida entre os passeios no Recife Antigo e nas praias das redondezas. Traduzindo: poucas horas para ver o imperdível.

Aviso aos desavisados: Fora do período carnavalesco, Olinda é uma cidade quase interiorana, com ares bucólicos. Nada de agito e muvuca durante o dia. À noite, o movimento fica no Alto da Sé e nos bistrôs mais famosos. Em geral tudo é muito tranquilo. O barato de Olinda é passear a pé, subindo e descendo ladeira.

Uma palavrinha sobre a arquitetura de Olinda

Em meados de 1600, Olinda era uma das cidades mais prósperas das Américas, sede da capitania de Pernambuco. Era conhecida como a Pequena Lisboa. Durante a invasão holandesa, em 1631, foi complemente saqueada e incendiada “simplesmente” porque os holandeses preferiram Recife como capital da Nova Holanda. A fortificação de Olinda não era viável e faltava um porto. E portanto a cidade não tinha razão de existir, na lógica dos amigos holandeses.

A solução foi roubar o possível (até os sinos foram derretidos para a fabricação de armas) e queimar o resto. A cidade foi completamente depredada. Mas apesar da reconstrução, a arquitetura colonial de Olinda pagou um preço alto. Quase nada ficou em pé. Depois foi a vez da rivalidade com Recife, a Guerra dos Mascates e o declínio da economia açucareira. Recife virou capital e Olinda entrou em uma longa fase de estagnação econômica e social.

O que vemos hoje em Olinda é o resultado de 500 anos de altos e baixos: glória, riqueza, guerra e declínio. Foi o turismo que salvou Olinda do esquecimento e do descaso.

Mas assim mesmo é uma cidade surpreendente, suspensa no tempo. Algumas ruas são tão silenciosas que você escuta seus próprios passos.

O conjunto arquitetônico é uma mistura de colonial, mourisco, barroco, art nouveau. Cores vivas, vegetação tropical e velhos sobrados meio abandonados. Praças e fachadas belíssimas ao lado de construções recentes que deturpam completamente a paisagem urbana. Enfim, um retrato das profundas contradições brasileiras.

Quem pensa em encontrar a cópia de Tiradentes ou uma pequena Ouro Preto, pode ficar decepcionado. Olinda vale pelo valor histórico, forte e claro, não somente arquitetônico. Uma visita para refletir sobre o passado e o futuro do nosso país.

Casario de Olinda

Casario de Olinda


Rua 15 de Novembro

Se o seu roteiro em Olinda começa na Praça do Varadouro ou no Mercado Eufrásio Barbosa (em reforma, dezembro 2016), o primeiro casario que você vai encontrar fica na Rua 15 de Novembro.

A primeira igreja é a de São Sebastião (1686), com uma fachada muito simples mas uma bela imagem do santo, trazida diretamente de Portugal.

Prepare-se: daqui pra frente você vai encontrar uma igreja em cada canto. Quem gosta de arte sacra vai se esbaldar.

Aqui e acolá, as placas da “Rota do Pedestre” mostram a direção dos atrativos mais próximos.

Fachadas ecléticas

Fachadas ecléticas e coloridas na Rua 15 de Novembro


Rua de São Bento

No fim da Rua 15 de Novembro, a direita, encontra-se a Rua de São Bento. A rua é bem preservada. Logo no começo fica um dos mais importantes monumentos de Olinda: a Igreja e o Mosteiro de São Bento. O mosteiro foi inaugurado em 1599, embora anos mais tarde tenha sido completamente incendiado pelos holandeses.  Foi o segundo mosteiro beneditino construído no Brasil.

A igreja é de 1660. Fica num largo calçado muito espaçoso que realça a fachada monumental. Vale a pena entrar para visitar  o belíssimo altar-mor.

Mais na frente encontram-se:

  • o Palácio dos Governadores: construído no século XVII, foi o antigo Paço dos Governadores Gerais do Brasil, de onde o País foi governado por três vezes;
  • a casa de João Fernandes Vieira, senhor de engenho e um dos heróis da Insurreição Pernambucana e da expulsão dos holandeses;
  • o Museu do Mamulengo, com um acervo de mais 1200 peças criadas pelos mestres mamulengueiros;
  • o Mercado da Ribeira: construído no final do século XVII. Típico mercado colonial onde hoje funcionam várias lojas de artesanatos e oficinas de entalhadores e outros artistas,
  • as ruínas do Senado, construído no final de 1600. Aqui Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito em favor da República no Brasil, em 1710.  Infelizmente ficaram só os restos mas assim mesmo com importante valor simbólico.

No fim da rua, começa a famosa Ladeira da Misericórdia que leva você até o Alto do Sé. Parece que a ladeira foi a primeira rua de Olinda, onde moravam as pessoas mais importantes da cidade, inclusive o donatário Duarte Coelho.

Mas antes de subir, pare nos Quatro Cantos. Qualquer roteiro em Olinda não pode deixar de incluir o famoso cruzamento de quatro ruas que abrigam o casario mais característico de Olinda: Amparo, Prudente de Morais, Bernardo Vieira de Melo (ou São Bento) e Ladeira da Misericórdia. Além de ser um dos melhores points do Carnaval 🙂

Vire a direita para visitar a Rua do Amparo.

Rua de São Bento

Rua de São Bento


Roteiro em Olinda - São Bento

Igreja de São Bento


Rua de São Bento

Fachadas coloridas na Rua de São Bento


Rua do Amparo

Uma das ruas mais antigas (e famosas) de Olinda. Não tem errada porque começa pertinho dos Quatro Cantos. No Amparo ficam muitas galerias de artistas locais, pousadas de charme, bares e restaurantes.

O que ver:

  • Sobrado Mourisco: um dos dois sobrados de influência árabe que ainda existem em Olinda. Apesar de pouco preservado, ainda mostra a sua antiga beleza;
  • Museu Regional de Olinda: mais um solar em estilo colonial. Construído entre 1745 e 1749 para abrigar a residência episcopal.
  • Igreja Nossa Senhora do Amparo (1613): mais uma igreja incendiada pelos amigos holandeses.

Alto da Sé

O Alto da Sé fecha com chave de ouro o seu roteiro em Olinda. Além da vista magnífica do litoral e de Recife, na praça encontra-se a Catedral da Sé, a igreja mais importante da cidade, inaugurada em 1540.

Durante a invasão holandesa a igreja foi usada como estrebaria e praticamente destruída no incêndio de 1631. As dezenas de reformas apagaram as suas características originais.  Somente a última reforma dos anos 70 tentou na medida do possível recuperar o recuperável.

A Praça da Sé é o lugar mais animado da cidade, mas somente a partir do fim da tarde quando as barraquinhas de artesanato (poucas na realidade) e as tapioqueiras abrem.

E ninguém pode ir embora sem ter saboreado uma tapioca recheada de coco e queijo, feita na hora.

Igreja da Sé e a vista do mar

Igreja da Sé


tapioca do Alto da Sé

A famosa tapioca do Alto da Sé


Se você entrou no centro histórico pelo Varadouro, é melhor descer pela Ladeira da Sé chegando até a Praça do Carmo, onde encontra-se a Igreja do Carmo (1580), a última do seu roteiro em Olinda.


Se você gosta de arquitetura colonial, continue seu roteiro em Recife e visite dois monumentos imperdíveis

>> Convento e Igreja de Santo Antônio

>> A Capela Dourada

20 respostas
    • Adelaide
      Adelaide says:

      Olá Chris 🙂
      eu gosto muito de Olinda, principalmente fora do período carnavalesco. A cidade vira um oásis de tranquilidade onde você pode passear a pé, sem trânsito e correria.
      Poucas cidades brasileiras oferecem esse luxo aos visitantes.
      Abs

      Responder
  1. Oscar | www.viajoteca.com
    Oscar | www.viajoteca.com says:

    Oi Adelaide.

    Adorei as dicas.. Infelizmente ainda não conheço Olinda, mas seu post rico em detalhes me deixou com vontade. Essas casinhas antigas quando bem cuidadas sano a coisa mais fofa desse mundo. Obrigado por compartilhar

    Responder
    • Adelaide
      Adelaide says:

      Verdade, Guilherme. Nós pernambucanos curtimos muito a nossa região. Com defeitos e qualidades.
      Você escolheu bem, mas se for a Porto de Galinhas, não deixe de dar um pulo em Maracaípe que fica ali pertinho.
      Abs.

      Responder
  2. Renata
    Renata says:

    Adelaide, adorei o post! não conheço Olinda, mas adorei as cores. Acho que eu ia curtir conhecer!! Abraços, Renata

    Responder

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