Visitar Saint-Tropez? Eis a questão


Quem nunca pensou pelo menos uma vez na vida em visitar Saint-Tropez? Provavelmente quase todo mundo que gosta de viajar, porque Saint-Tropez é mais do que um destino, é um símbolo, um mito.

Começando por E Deus criou a mulher (Et Dieu…créa la femme) o filme de Roger Vadim que lançou Brigitte Bardot em 1956, gravado na cidade e nas praias dos arredores. Sem esquecer a lista infinita de celebridades e turistas endinheirados que durante décadas lotaram os bistrôs e e a praia de Pampelonne. Mas…o que sobrou daqueles verões cheios de glamour? Ainda vale a pena visitar Saint-Tropez?

Eis a questão. E quem dera ter coragem de escrever um sincero “não!” Mas fico com pena. Afinal não sou juiz de nada e a culpa não é somente de Saint-Tropez. Os gostos mudam, as cidades mudam (nem sempre pra melhor).

A overdose turística dos anos 70 e 80 deixou a cidade sem graça, artificial e resignada. Correu atrás das modas e das tendências, perdendo o charme típico do petit village.  E foi parar longe daqueles anos de rebeldia, glamour e escândalos de mentirinha que presentearam o antigo vilarejo de pescadores com um sucesso planetário. O único vestígio dos tempos de outrora é a estátua de Brigitte Bardot, nua, jovem e belíssima.

Passeando pelo porto e pelas ruas repletas de boutiques famosas e restaurantes de luxo, o meu coração era uma calmaria só. Claro, isso não quer dizer que você também vai ficar indiferente. Foi por isso que resolvi engolir o meu “não” e escrever sobre Saint-Tropez. Mas somente o mínimo indispensável, para não ocupar mais do que duas horas do seu itinerário no sul da França (espero que você tenha incluído cidades mais interessantes como Èze ou Saint-Paul-de-Vence).

Como chegar e estacionar em Saint-Tropez (sem perder a calma)?

Se você incluiu Saint-Tropez no seu roteiro, provavelmente vai estar viajando de carro porque não há estação de trem em Saint-Tropez. A estação mais próxima fica em St.-Raphaël (a 40 km). Sem carro, precisa ir de ônibus.

Direção Nice – Saint-Tropez

Durante o verão chegar em Saint-Tropez sem quebrar o planejamento do dia é complicado. O trecho da costeira entre Sainte-Maxime e Saint-Tropez é muuuuito engarrafado e pode ficar até inviável para quem está planejando um bate e volta.

A solução é estacionar o carro em Sainte-Maxime e pegar o ferry-boat que leva até Saint-Tropez em poucos minutos.

Direção Toulon-Nice

Quem está viajando na direção Toulon-Nice tem mais sorte porque pode entrar em Saint-Tropez pelo lado sul, ou seja, passando por Cavalaire-sur-Mer e Ramatuelle. Não tem praticamente trânsito mas saibam que a estrada é estreita. Foi a opção que escolhi, mas devo dizer que à noite não é aconselhável para quem não tem prática de estradas sinuosas.

Estacionamento

Eu nem tentei estacionar nos estacionamentos que ficam nos arredores do porto, no início da cidade para quem chega de Nice. Provavelmente vivem lotados. Preferi um dos estacionamentos pagos indicados no site oficial da cidade (consulte aqui). Fiquei no Parking des Lices porque é perto do centro histórico (5 minutos a pé).

A tarifa não é uma pechincha mas dá para encarar: 12 minutos custam 0,60 euros (1 hora custa 3,00 euros).

Dicas para visitar Saint-Tropez (em pouco tempo)

Logo depois do estacionamento, fica o luxuoso quarteirão Triangle d’or, entre o porto, Place de la Garonne e a Place des Lices.

Nada de pitoresco. Mas como visitar Saint-Tropez sem um rolê entre as boutiques da Rue François Sibilli? Um pit stop na loja de sandálias Tropéziennes de Rue Clemenceau? Mas prepare-se para gastar mais de 100 euros com o modelo básico… Ou para comprar um biquíni Vilebrequin na loja de Rue Gambetta (gastando ainda mais do que com as sandálias)??

visitar saint-tropez

Um pedacinho da Rue François Sibilli em Saint-Tropez


As ruelas do quarteirão deságuam diretamente no porto antigo (Vieux Port) com suas casinhas em tons pastéis. Inevitavelmente você vai esbarrar com as lojas de souvenir (horríveis, por sinal) e com os mega iates de 10 andares que deturpam qualquer panorama e pôr do sol (não tenho nada contra iates rsrsrs).

No famoso calçadão do Quai Jean Jaurès há mil opções de bistrôs famosos, como o Senequier, e outros um pouco menos famosos. Obviamente, no verão, o burburinho de turistas é inevitável.

Continue até o final do calçadão onde fica a antiga muralha e a torre Tour du Portalet, construída no século XV. Vale a pena subir para curtir o panorama do litoral. Em direção sul fica Madrague, a mansão de Brigitte Bardot e a badalada praia de Pampelonne, cenário do filme e “sede” do icônico Club 55.

Descendo da muralha, entre na cidade velha, no bairro dos pescadores, conhecido como La Ponche. Hoje, é claro, não há mais pescadores. Mas, saindo das ruas principais, o bairro ainda conserva um certo encanto.

Saint-Tropez

A orla de Saint-Tropez e o famoso Senequier


Saint-Tropez

Um cantinho mais tranquilo do bairro La Ponche


Saint-Tropez

A torre e o porto


Se tiver tempo, estique até a minúscula prainha La Ponche, famosa porque muito frequentada pela escritora Françoise Sagan e pelo playboy Gunther Sachs, terceiro (ex) marido de BB e considerado o “inventor” de Saint-Tropez.

Esticando ainda mais, você chega até La Citadelle de Saint-Tropez, um forte do século XVII, no topo da colina, onde fica o Museu Marítimo. Infelizmente a visita ao museu não coube no meu itinerário. Na realidade fiquei arrependida porque sei que o museu abriga um acervo que relata a história da cidade e a sua importância para a defesa da região, além da vista maravilhosa do golfo).

Se ainda sobrar um tempo, acho que vale a pena homenagear a Saint-Tropez de Brigitte.

Na Place Blanqui fica a estátua da diva, inaugurada em 2017 (detalhe: ela não presenciou à inauguração mas mandou simplesmente uma cartinha de agradecimento kkk)

Os fãs de cinema não podem perder o Musée de la Gendarmerie et du Cinéma que homenageia BB e Romy Schneider, as eternas musas de Saint Tropez. Não entrei por falta de tempo.

Perto do estacionamento Parking des Lices, fica a pracinha Place des Lices que, além de campo de pétanque, toda terça e sábado de manhã, abriga a feirinha provençal com venda de produtos típicos e, infelizmente, de souvenir sem sentido.

Dicas para viajantes gourmet: na praça fica uma das “sucursais” da La Tarte Tropézienne, a boulangerie que vende o icônico bolinho de pão de ló (tipo brioche) recheado com uma crema de baunilha pecaminosa (cujos ingredientes são secretos). Foi a própria BB a descobrir essa maravilha durante a filmagem!

Então, fiz a minha parte. Escrevi sobre a mítica Saint-Tropez. E você? Vai arriscar e visitar Saint-Tropez?

Tarte Tropeziénne

A famosa (e deliciosa) Tarte Tropeziénne



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Visitar Saint-Tropez

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